Sabe quando você tem certeza que acertou no que quis fazer? Essa satisfação eu estou sentindo nesse momento… Porque ao encerrar a minha entrevista com Zezé Araújo, o orgulho tomava conta de mim!
Estava de frente com o que poderíamos chamar de ÍCONE, mas o pé firme no chão, faz com que o adjetivo AMIGO seja mais forte, e mais apropriado. E não só minha amigo… pois Zezé é um amigo que a noite inteira precisa ter…
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Falamos sobre inspiração artística, a recriação de sí próprio… A verdade sobre ilusão gay/noite que vivemos, e a valorização de conceitos primordiais, como Deus e família.
Calma, nosso intuito não é fazer de Zezé um santo! Até porque, ele é gente como agente… Que ouve Madonna, que paga mico, que trabalha pra pagar as contas…
A inteligência de Zezé Araújo fez valer a pena essa entrevista.
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Tico – Qual idéia veio primeiro… Ser Drag, ou ser DJ?
Zezé – Veio primeiro o Gay (risos)! Na verdade eu não sou Drag, sou uma Persona, um personagem, um artista, sou tudo que eu puder ser: Gay, Drag, Trava, Palhaço, Mulher, Homem, Criança, Velho, tudo junto e bem misturado.
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E essa persona começou quando?

Começou num ‘clube mix’ nos anos 80 perto de casa, chamava Abrigo Nuclear… Usávamos botinha de bico fino! Éramos Clubbers e nem sabíamos, mas o modelon já era forte, com forte influência dos anos 70.
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Várias… de Madonna a Leigh Bowery… De Palhaços a Esqueletos e Travas… De Alexandre Herchcovitch a Alexander McQueen, Gaultier e Clodovil… Do Carnaval, as festas nordestinas, e Halloween.
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E seu primeiro grande trabalho foi…
No Grind a muito tempo atrás. Fiz uma Performance com a musica Fashionista do Jimmy James, e levei o livro SEX da Madonna pra ser usado como uma bíblia, que coloquei no palco, como num altar. No fim do show eu joguei spray de espuma no povo. Eram 2 frascos de spray! Todo mundo ficou cheio de espuma! Reclamaram muito para os donos da casa… mas aí, eu ja tinha feito! Foi tudo (risos).
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E quem deu uma forcinha?
Meus amigos… Pomba, Johnny Luxo, Paula, Gil, Xu, Nenê Krawitz… eles me fazem os convites de trabalho.
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Teve alguma dificuldade no começo da carreira?
No começo eu não conhecia ninguem pessoalmente. Conhecia todo mundo só da coluna Noite Ilustrada, da jornalista Erika Palomino na Folha de São Paulo. Com o passar do tempo, e frequentando os lugares onde todo mundo também frequentava, começei a me entrosar… Eu não me montava ainda, fazia a linha ‘gay sem modelon’ (risos).
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Sobre música… O que vc ouve?
House Music principalmente… mas sou bem aberto a todo e qualquer estilo de musica. Onde tem musica eu estarei lá, rebolando (risos). Madonna, Pet Shop Boys, Depeche Mode, Britney Spears, Rihanna, Bjork, etc.
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E quem são seus DJs preferidos?
Muitos! Mau Mau, Renato Lopes, Pomba, Mauro Borges, Johnny Luxo, Leiloca Pantoja, Marcio Vermelho, Pil Marques, Marcos Morcef, Luis Pareto.
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Passou por muitas casas?
Já até perdi as contas (risos). Alôca, Glória, Lions, Bar Secreto, Bar do Netão, Container, Max…
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E o que você acha da galera mais nova da noite?
A noite é um eterno renovar! Quem não se atualiza, pára no tempo! Hoje em dia admiro várias pessoas… mas KATYLENE, GINGER HOT, TICO MALAGUETA e XERXES estão no caminho certo.
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O que acha da Cena Gay atual?
Um mix de tudo! Existem uns 500 clubes gays! Alguns são legais, outros nem tanto… mas vale a pena você conhecer, porque o que vale realmente é a sua opinião… A ‘cultura club’ é contada por cada um a sua maneira e sua vivência.
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Nesse caminho ai, já rolaram micos?
Claro! (risos). Uma vez, eu queria muito ir na festa HOUSE OF PALOMINO, e marquei com uma amiga chamada Val. Nessa época eu trabalhava no Pão de Açúcar da Rua Oscar Freire… O dia da festa era dia de balanço na loja. Mas tudo certo, fui trabalhar, fiz o balanço, só que eu não podia sair da loja a noite! Só de manhã quando abriria novamente! O que eu fiz? Pulei por cima do telhado do mercado… Passei na frente do logo imenso do Pão de Açúcar, quase fui eletrocutado e pulei de quase 2 metros de altura, e fui linda pra festa! E depois ainda fomos pro Hell’s (risos).
Outro mico ótimo… fiz um show no Grind uma vez, com uma performance de Paparazzi da Lady Gaga. Eu tinha na cabeça um saco com isopor que eu tinha ralado. Era um saco imeeeenso e no meio do show eu iria rasgá-lo com uma faca. Na hora o isopor entrou todo na minha boca e no meu nariz, e eu não conseguia respirar! Foi úo, quase morri! Mas ninguem percebeu (risos).
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Vamos falar da Lôca? (risos)
Alôca é um mito!
Minha casa, minha familia! Amo todo mundo… da tia do banheiro ao dono. É lá onde me monto e desmonto, onde já fiz de um tudo: fui DJ, fiz show, porta, divulgação, atendimento no dark (risos). É o lugar onde estão meus amigos, onde eu posso rir de mim, dos outros e os outros podem me xoxar! É o maior Clube Underground do Brasil e espero que continue assim por muito tempo. Na Lôca vi alguns personagens nascerem, morrerem e se tornarem eternos. Alôca dá aula de ‘cultura club’ a muito tempo. Ou você ama ou odeia, não existe meio termo.
É um lugar auto-reciclavel! E as vezes acho que o clube tem vida, ele aceita umas pessoas e outras ele renega. Tipo, existem pessoas que vão a primeira vez e saem de lá amando e outras vão a tanto tempo, mas não gostam realmente do clube.
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Das Drags de São Paulo…
Adoro várias… Paulette Pink, Veronika, Márcia Pantera, Dimmy Kieer, Raphaella, Divina Nubia, Brendha Costa, Labelle Beauty, Ru Paul, Leiloca Pantoja, Alma Smith, Arethusa, Marcelona… E adoro dividir o palco com Elloánigena.
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Seus figurinos são sempre incríveis… Qual é o mais inusitado?
Meu vestido de camisas sociais, que são umas 30 camisas sociais de mangas compridas que eu amarro e me enrolo e faço um vestido imenso.
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Tem algum proximo projeto pra contar?
Meu plano é só ser feliz. É o que basta, não é?
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Olha, queria dizer umas coisinhas… A noite é uma ilusão!
Um personagem nasce e morre numa mesma noite…
É um teatro, e cada um finge aquilo que quer fingir, e se acredita em tudo e em todos.
Mas é de dia que a vida se materializa: na noite agente sonha, e de dia realizamos.
Não existe personalidades na noite, o que existe é muito truque, muita solidão, muita mentira, muito xoxo, muito fingimento, mas mesmo assim e apesar de tudo a noite ainda pode ser romântica, carinhosa e afetiva, então procure essa parte dela.
No fim do tunel existe uma luz, e é nessa luz que eu vivo… se eu me drogasse, já estaria morto, ou o que é pior morto só psicologicamente.
Se eu não acreditasse em Deus eu não estarei aqui dando essa entrevista pra você, Tico.
Na verdade o que importa é a nossa familia, nosso núcleo, nossa casa que nos recebe sempre.
Quem vive de close é modelo.
Na noite todas são ricas, felizes e tem saúde… mas quais delas realmente são?
Odeio cigarro, bebidas e drogas.
Bom… sejam felizes e não liguem muito o que os outros vão falar de vocês ok?
Viva e deixe viver!
ENQUANTO OS CÃES LADRAM A CARAVANA PASSA.
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GOSTARIA DE AGRADECER AOS MEUS AMIGOS, MINHA FAMÍLIA, AO POVO DA 25 DE MARÇO, A QUEM CRIOU AS CORES FLUOR, AOS BOYS, A QUEM ME AMA E QUEM ME ODEIO, Com amor, XX. (risos)
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Zezé… com certeza o público da Lôca te aplaude em pé! Essas suas mil faces deixam a Lôca mais colorida. Obrigado, Mãe Clubber.
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