Entrevista: DJ Gra Ferreira

Quem chegava a porta dos clubes onde Gra Ferreira já foi Hostess, nem podia imaginar que tempos depois a moça colocaria a pista pra pular com batidas pesadas de Tribal. A DJ que aparece mensalmente aqui na Loucuras, nas nossas famosas quintas, conta pra gente um pouco sobre sua carreira, e outras curiosidades…

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Tico – Gra, eu lembro que a primeira vez que eu ouvi seu som, eu estava na The Week. Todos os meus amigos já estavam lá, e eu cheguei mais tarde. Quando entrei e os vi, a galera estava toda pulando, se acabando, porque o som estava bombando demais. Realmente as batidas fortes mexiam com todos alí, e quando eu cheguei perto da cabine e te vi, pensei: ‘Olha a delicadeza dessa menina em contraste com esse som. Vai virar sucesso’. Prepotência minha, porque conversando com o povo eu soube que você já era bastante conhecida…

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Vamos admitir que você é um sucesso, não é? O que você acha que te deu mais ascensão… ser Modelo, Hostess, ou ser DJ?

Sucesso é uma palavra linda, porém, perigosa ao mesmo tempo… porque na minha opinião, sucesso é algo que não depende única e exclusivamente de você… É um conjunto de fatores, oportunidades e cabeça no lugar principalmente para não deixar a pessoa se transformar em algo fútil, entende? Tenho um histórico de vida que vem se complementando de fase em fase, desde quando saí do interior e vim para São Paulo e posso ser muito sincera? Nunca planejei ser nada do que já fui e que sou hoje, eu acredito sim que encontrei pessoas que foram essenciais para me mostrar caminhos e oportunidades e de repente ver coisas em mim que eu mesmo nunca consegui ver. Daí por diante, entrou meu esforço e dedicação para fazer tudo bem feito e de repente ter esse “sucesso”!

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Como foi sua carreira de Modelo? É algo que você já não faz hoje?

Minha carreira de modelo não foi nem muito longa, nem muito bombástica pelo banal motivo que eu detestava fazer dietas, e com certeza, quando se propõe a um tipo de trabalho como o de modelo, você praticamente vira escrava de muitas coisas e uma delas é estar sempre linda e MAGRA, ou melhor dizendo magérrima! (Rsrsrs)…Trabalhei como modelo por dois anos mais ou menos e decidi parar quando recebi um convite para passar um mês em Nova York e para isso precisaria emagrecer 04 quilos. Acho que a idéia de ir para um lugar que eu não conhecia, que eu não dominava o idioma e ficar longe da família me assustaram tanto, que acabei engordando mais 04 quilos! (kkkkkkkkkk)… Aí vi que aquilo não era minha praia. Fiz bastantes trabalhos na área de publicidade, mas moda mesmo, exigia disciplina e creio que por eu ser muito nova e na época bastante mimada, eu achava que isso era besteira… Ainda bem, né? Porque hoje estou aqui e muito feliz!!!!! (Rsrsrsrs).

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E como DJ você ’se encontrou’, ou podemos esperar Gra Ferreira em mais algum projeto? – tipo, uma novela* (rs).

Como dizem: “O futuro a Deus pertence!”. Hoje sou muito feliz na minha profissão, tenho colhido ótimos resultados e claro, ralado bastante para poder me manter num mercado, em primeiro lugar predominantemente masculino e depois, bem competitivo, o que nos encoraja e estimula a querer sempre mais, ter mais dedicação, sempre estar se atualizando, e em paralelo a isso, tenho algumas outras coisas, que na verdade somam ao meu trabalho, mas nada dentro da mesma área…eu sou uma workaholic assumida! 24 horas no ar se eu pudesse (rsrsrsrs)… O que eu espero e sempre esperei do futuro é ter sempre saúde e disposição, o resto é pura conseqüência daquilo que mentalizamos e claro, corremos atrás!

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Você já desembarcou em várias cidades e estados do Brasil mostrando seu trabalho. Qual foi sua primeira viagem?

Nossa, fiquei aqui pensando, mas lembrei… foi Goiânia, na boate D!sel Lounge e que hoje estou no casting de residentes de lá! Graças a Deus deu certo e mantemos essa parceria há mais ou menos uns 3 anos! Quando fui a primeira vez lá, foi por indicação dos meus amigos Jeff Valle e Felipe Lira e sou muito grata a eles por isso!

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Recentemente você tocou no clube Pinups em Manaus, onde eu também toquei em Agosto. Eu senti que Manaus valoriza muito os profissionais da ‘cena noturna’ e a galera é muito receptiva. Conta pra gente como foi essa experiência?

Olha, realmente Manaus me surpreendeu! Com o calor fortíssimo (kkkkkk)… da temperatura e principalmente das pessoas! Fui muito bem recebida e com certeza, isso já me deixou muito à vontade na hora de tocar. Desde os organizadores da festa ao público em si, amei tudo, me diverti muito e Manaus já está na lista dos lugares que mais amei tocar até hoje! E graças a Deus já tenho data marcada para voltar! Obrigada a todos de lá e podem ter certeza absoluta que minha satisfação de ter estado lá foi única!

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É diferente comandar a pista da The Week, e de um clube Underground, como Alôca?

Hummm… Eu acredito que não! Quando recebi o primeiro convite do Pomba para o Projeto Loucuras, confesso que fiquei um pouco tensa, pq não imaginava como seria, mas quando ele me disse que era para fazer o meu tipo de som, fui mais tranqüila e amei! Até porque vi muitos freqüentadores conhecidos e amigos e fiquei mais relaxada, agora, na questão de ter diferença, posso até dizer que sim, no sentido de A Lôca ser um clube pequeno, com um público diferente (nem tanto assim) do que eu estava acostumada na The Week, mas em questão de vibe… nada mudou e até hoje, cada quinta-feira é uma surpresa e que fico ansiosa até chegar a próxima!

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Tribal Music é…?

…O que mexe comigo, o que faz meu corpo não ficar quieto (rsrsrsrs)… Mas hoje em dia, com as mudanças de tendências na noite Eletrônica, tenho feito uma boa mistura, voltada mais para o House Progressivo, sem deixar perder a sequência e vibe do set… Na verdade eu amo House e todas as suas vertentes, então, cada dia que passa temos que aprimorar o trabalho, seja nas pesquisas, em saber o que está rolando mundo afora e tentar trazer isso para á pista de uma maneira que o público goste e aceite.

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E eu percebo um pouco de Electro em seus Sets. O que você acha dessa vertente da Música Eletrônica?

Pois é… De vez em quando coloco algumas músicas de Electro sim, pois amo as batidas, a levada, e quando vejo que isso se encaixa no meu set, não deixo escapar não (rsrsrsrs)… Mas não é uma vertente muito comum e também não muito aceita a depender de onde toco, então, tenho que saber o momento certo de soltar… Eu tocava uma versão de When Love Takes Over, que na verdade é um Eletro-Rock… Já imaginou isso?? (rsrsrsrsrs)… E graças a Deus, sempre deu certo, porque a música é muito linda!

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E existe algum estilo musical que você ouve, mesmo que não entre no seu Set?

Sim, claro! Desde criança tenho o hábito de estar sempre ouvindo muita música e estilos beeem variados. Meu pai tem uma coleção de vinil que vai de Glenn Muller até Ray Conniff, Renato e seus Blue Caps, Beatles, Elvis, Jhonny Rivers… E em casa aos domingos, passávamos o dia todo ouvindo tudo isso enquanto meu pai lavava o carro e minha mãe ficava hoooras na cozinha… Era o dia que eu mais esperava na semana! Hoje em dia, ouço de tudo… MPB, Sertanejo, Forró… Gosto de tudo um pouco!

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Gra Ferreira ainda será mamãe?

Hummm… Confesso que ainda não sei. Estou casada há um ano já… De vez em quando passa na minha cabeça a idéia de ser mãe sim, mas ainda não me vejo assim, até pela questão de estar trabalhando muito, viajando bastante… e meu marido já tem uma filha linda e fofa! Às vezes eu brinco que já adquiri o pacote completo (kkkkkk)… Mas quem sabe, né?

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Gra Ferreira ainda vai posar pra Playboy?

Olhaaaaaaa… Vou confessar uma coisa… Há uns bons anos atrás, fui convidada a fazer um teste para a revista, porém, chegando lá, o fotógrafo disse que havia me achado linda, pelo tom de pele, corpo, etc… MAS ele disse que eu precisaria ter “mais peito” (kkkkkkkkk)… Será que se eu colocar silicone ainda rola? (rsrsrsrs)…

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Porque você acha que o público gay gosta tanto de você?

Essa é uma resposta difícil … Mas vamos lá… Eu sempre tive uma educação baseada em respeito, amizade e principalmente sinceridade com os outros e principalmente comigo mesmo. Quando cheguei em São Paulo há mais ou menos 12 anos, meus primeiros amigos e pessoas que me ajudaram muito aqui eram gays e com isso, eu descobri um mundo que nunca havia imaginado conhecer. Eu fui criada no interior, numa cidade pequena, com pessoas de cabeça pequena (pode ser que nem seja culpa delas e sim da criação que tiveram), mas sentia que aquilo não era pra mim, eu queria mais, queria conhecer pessoas, viver minha vida de maneira diferente daquilo que cresci e quando cheguei aqui, fui muito bem recebida, muito bem acolhida e principalmente protegida, entende? E o mais engraçado é que foi tão natural, que nunca consegui ver essa “diferença” que todo mundo enxerga…E acredito que esse elo inicial, essa cumplicidade que tive com as poucas pessoas que conheci inicialmente, sempre me deixaram à vontade com todas as demais pessoas que conheci em todos esses anos e digo até hoje que tive muita sorte! Hoje eu conheço muita gente, alguns se tornaram amigos pra vida toda, outros colegas e outros conhecidos, e acredito que por sempre haver esse respeito e isso ser mútuo, resultou em relacionamentos ótimos, então posso dizer claramente, que sou uma pessoa muito feliz em saber que na verdade não fui eu que tive a chance de aceitar ninguém, eu é que fui aceita e sinto que o carinho, amizade, cumplicidade são de igual maneira e intensidade. O segredo é você ser leal aos seus sentimentos, pois o resto vem naturalmente e por ter uma base familiar sólida, meus pais sempre me ensinaram a ser uma pessoa transparente e eu amo de coração a vida que tenho aqui em São Paulo e sou sempre muito grata por ter conhecido pessoas tão queridas e especiais!

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Recebe muitas cantadas durantes as festas? De meninas também?

Olha, até que não, ou então eu não percebo (rsrsrs)… Sou muito tranqüila em relação a isso e como sempre falo com muita gente o tempo todo, acabo não vendo coisas desse tipo… Óbvio que uma vez ou outra acontece sim, mas aí tem que ser algo muito “na cara dura”, entende? (rs)… Mas sempre levo numa boa!

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Pra encerrar: Manda pra gente uma frase, um ditado, um recado, um palavrão… O que quiser?

“Deus comigo…Deus contigo…Tudo posso Naquele que me fortalece!”


Tico – Te agradeço MUITO, minha linda! Arrasou em todas as palavras. Beijos…

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One Response para “Entrevista: DJ Gra Ferreira”

  1. [...] no final do ano eu entrevistei a Gra numa matéria reveladora onde ela falou absolutamente tudo! Click aqui pra [...]

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